sábado, 4 de julho de 2015

Eu sou um

Somos todos.
Ainda procuro o significado destas duas palavras juntas, somos todos.
Tenho-a visto por aí, se mostrando sempre solícita ao ser chamada,
nunca recusando-se dar a mão para quem de imediato lhe recorre o socorro.
Não quero jamais que um dia me digam, somos todos você!
Não... fugiria assim que ouvisse tamanha covardia. Quem estaria ganhando com algo assim?
Com toda certeza eu não seria. Nem os meus, nem o mundo.
Não quero aqui separar, dividir, desagregar nada nem ninguém. Eu quero pensar só, mudar só, errar só, resolver só, escolher só, ser apenas eu e só.
Me mostra apenas os dois ou os vários caminhos e me deixa seguir. Não me molda, não me forma, só me preenche. Me preenche de tudo! Revela-me as coisas ruins e as boas. Mas não me diz o que elas são, me deixa decidir, me permite entender, ter dúvida, me confunde, me dá apenas teu ponto de vista, teu jeito de enxergar a vida. 
Os homens como um todo já foram os renegados, logo após os renegados foram os animais. Depois os fracos, então os derrotados, os dominados, também os negros. 
Hoje todos ainda o são velhos renegados. E quantas vezes será necessário ouvir um somos todos?
Já não é preciso guerras a algum tempo. Precisamos de luz, somente luz.
Não me preparo mais para batalha alguma, estas já não fazem sentido.
Agora me proponho a expor o que posso das coisas do mundo. Dizer o que sei, ensinar, aprender.
O que não puder me parar, não existe, não causa efeito.
Um preto, ele nasceu preto e vai morrer preto. O que não pode permanecer é a ignorância.
O preto deve nascer raso e não morrer assim! ele deve nascer e evoluí, aprofundar-se em história e cultura, recuperar de voltar o que um dia foi seu, como também o Índio.
O respeito vem de olhar no olho e se reconhecer como igual, mas não somente por uma questão física e biológica de que vamos todos para o mesmo lugar, "somos todos" pó. 
Não, é algo mais, é muito mais, é extremamente mais profundo.
Respeito não se enfia garganta abaixo! Até porque somos excelentes em cobrar, mas em nosso dia-dia percebemos a dificuldade do ser.
Jamais serei estritamente uma tribo, comunidade, aldeia, clube, o que seja. 
Quem sabe uma vela ao lado, um livro de cabeceira, um contador de história te pondo a pensar, um amigo irmão, alguém que te preencha de fatos, bons e ruins, de lados, visões extremas e complexas, sempre um perguntador, raramente um respostador.


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